PM admite uso de armas letais durante invasão ao quartel dos bombeiros do Rio de Janeiro

04/06/2011 18:28

Durante a entrevista coletiva concedida na tarde deste sábado (4) no Palácio da Guanabara, o comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, admitiu que policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais) entraram no Quartel Central do Corpo de Bombeiros portando armas de fogo, e não apenas de efeito moral.

"Não nos interessava o uso da força, por isso houve extrema negociação. Alguns policiais entraram com armas letais, porque sabíamos que havia pessoas armadas entre os manifestantes", disse. Duarte informou que foi apreendida uma pistola com um bombeiro que tentava deixar o quartel central.

Integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) passou a madrugada acompanhando o protesto dos bombeiros dentro do quartel e disse que só não houve uma tragédia porque o movimento é pacífico e porque os manifestantes tinham treinamento militar.

"Foi terrível o que aconteceu lá dentro. O Bope [Batalhão de Operações Especiais] invadiu por trás, jogando bombas de gás e disparando balas de verdade. Tem carros dos bombeiros lá dentro arrebentados a bala. Se os bombeiros não estivessem em movimento pacífico e ordeiro poderia ter ocorrido uma tragédia", afirmou a deputada, exibindo cápsulas deflagradas de fuzil e pedaços de bomba de efeito moral.

"Essas pessoas que estão sendo penalizadas são as mesmas que salvam vidas em incêndios e nas praias do Rio. Ganham o pior salário da categoria no Brasil. Quero saber se o governador (Sérgio) Cabral, responsável por essa operação, consegue se alimentar em Paris com os R$ 950 que são pagos a esses homens e mulheres."

Representantes da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também acompanham os conflitos.

Hoje cedo, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) invadiu o quartel pelos fundos, usando uma escada. Os agentes também jogaram bombas de efeito moral contra os cerca de 2.000 manifestantes, de vários batalhões da cidade, que ocuparam o local na noite de sexta-feira (3), alguns acompanhados por familiares e até por crianças.

Eles reivindicam um aumento de R$ 950 para R$ 2.000, além de melhorias em suas condições de trabalho. "Nós temos o pior salário da categoria no país. Estamos há dois meses tentando negociar com o governo, mas até agora não obtivemos resposta," disse o porta voz do movimento, o cabo dos bombeiros Benevenuto Daciolo. "Nosso movimento é de paz e estamos em busca da dignidade e precisamos de uma solução".

Questionado sobre as condições salariais dos bombeiros, o governador respondeu que isso não é verdade, dizendo que já existe um programa de recuperação salarial. Cabral alegou que investiu R$ 120 milhões em novos equipamentos para a corporação nos últimos anos.

"Se [o salário] não é ideal, deixou de ser o que alguns desses amotinados dizem por aí. E mesmo que fosse o pior salário do país, não justificaria a entrada daquele jeito no quartel", argumentou.

Fonte: UOL

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